Episódio 4: O folclore brasileiro renasce na internet

Mariana Valverde

Já imaginou participar de um evento e comemorar o Dia do Folclore sem sair de casa? Essa é a proposta do quarto episódio do especial que a ComTempo preparou para você especialmente nesta quinta-feira, 22 de agosto, o dia do Folclore Brasileiro e quem convida cada um de vocês para festejar é Anderson Awwas!

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Anderson Awwas (Foto: Rede Social)

Nascido no Rio de Janeiro, Awwas percorreu o caminho contrário da maioria dos brasileiros quando o assunto são as antigas lendas. Ele as conheceu no ensino primário, mas diferenre das outras crianças que se encantam ‘de cara’ com a cultura popular, ele admite ter tido uma primeira impressão “estranha” e “negativa”. Foi na faculdade, em 2013, que o Desing passou a olhar pro folclore com outra perspectiva.

“Decidi me dedicar no estudo das lendas mais famosas do folclore brasileiro, mas para ressignificá-las como algo obscuro, com toques 

de histórias de terror e fantasia mesclados à nossa realidade”, e foi assim que surgiu cada ilustração que fugia do formato infantil.

Segundo ele, foi um caminho  difícil, pois foi necessário buscar o imaginário das pessoas e pensar em como o medo toma diferentes formas. “[o medo] pode ser fruto de um preconceito ou aversão ao diferente, aquilo que está fora do padrão comum da sociedade”.

Wi-Fi na floresta

Ainda no caminho não convencional, Awvas criou o Folclore BR: Somando Visões. O evento acontece virtualmente, pelo canal do Desing no YouTube, e busca gerar discussões e aprofundar as diversas faces da cultura brasileira folclórica.

O evento recebe diversas personalidades entre escritores, ilustradores, comunicadores e historiadores em vários dias de programação.

O último dia do evento acontecerá no dia 28 de agosto, e tratará o tema “Orixá não é folclore!”, com o objetivo de desmistificar a relação de folclore e religião.

Uma alfinetada no rato mais famoso do mundo?

Awvas tem ilustrações especiais que fazem referência a grandes clássicos da Disney, como ‘Moana’ e ‘A Pequena Sereia’ e ao ser questionado sobre o objetivo dessas obras, ele é claro: “É uma provocação, não para as crianças, mas para os adultos. O exercício que proponho com os cartazes é olhar para dentro. É fazer imaginar, junto comigo, o que poderia sair daqui com produções multimilionárias. Longe de mim querer me comparar a Disney, mas o que fiz com esses cartazes foi tentar chamar a atenção para o projeto e fazer algumas pessoas pararem para pensar nas possibilidades que temos usando a nossa cultura como referência”.

A nossa cultura colonizada por estrangeiros e desvalorizada no Brasil

Desde a colonização do Brasil, culturas de diversos países foram inseridas na nossa rotina. Por isso, os brasileiros se acostumaram a valorizar culturas externas. Mas afinal, por que não fazemos a festa do folclore ao invés do halloween?

Para Awvas não falta nada para o povo incluir o folclore na cultura, afinal, ele já está inserido. “O folclore está nos seus gestos, na sua música, na sua comida, na sua gíria, na sua superstição, na dança, nas festas… o folclore vai muito além das 5 lendas mais famosas”.

Ao se tratar da desvalorização, Awvas é radical: “Fazemos toda a força do mundo para criar pequenos movimentos como acreditar que qualquer filme americano é melhor que um nacional”.

Mas afinal, o brasileiro vive de folclore? Para Awvas, todos nós vivemos, “querendo ou não”.

Para continuar essa incrível saga sobre o universo do folclore, se prepare, pois amanhã será o dia daqueles que nasceram em nossas terras mas que são pouco populares. Já ouviu falar em Zaoris? Ou Pedrossem? Não? Então senta, que lá vem história!

Leia o próximo episódio

Escrita por: Mariana Valverde
Acompanhamento: José Piutti
Edição de texto: Marcos Pitta
Edição final: Gabriela Brack

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