Episódio 5: as lendas folclóricas que você ainda não leu

José Piutti

Curupira, Boto-cor-de-rosa, Sací, Mula sem cabeça… são essas algumas das lendas mais conhecidas do Folclore Brasileiro. Quem nunca usou giz de cera para pintar as ilustrações destes seres durante a escola primária? Ou ainda, não ouviu algum parente afirmar que “se você assoviar à noite, a Caipora vem pegar”? Elas fazem parte do dia a dia do brasileiro.

Porém, o intuito deste episódio do Especial de Folclore da ComTempo é apresentar histórias pouco conhecidas pela maioria de nós. Buscamos pela autora do livro “Abecedário De Personagens do Folclore Brasileiro”, Januária Alves, e das editoras que o lançaram em conjunto, FDT e SESC Edições, para trazer até vocês uma lista com exóticos personagens de nossa mitologia.

Então, acomode-se, pois as histórias a seguir não são conhecidas do nosso Folclore e você precisa apreciá-las e passar a entender que tudo está além do que já sabemos.

ZAORIS

zaoris - Abecedário
Zaoris (Ilustração: FDT/Editora Sesc/Berje).

Se você nasceu em uma sexta-feira santa, provavelmente é um deles. Todos que nasceram na data cristã o são. “Mas eu sou uma pessoa normal!”. Exatamente. Eles se parecem fisicamente como nós, que nascemos nos outros 364 dias do ano. No entanto, o segredo deles encontra-se nos olhos. Um brilho especial, misterioso, pode ser observado, porque nada se esconde deles. Enxergam através do que é escuro, opaco, dentro das terras e montanhas.

Por tamanha destreza podem, facilmente, encontrar minas de ouro e prata. Dizem que eles sabem onde os incas e jesuítas enterraram suas riquezas e, como eles não estão mais aqui, os Zaoris as mostram para pessoas de confiança. Por que? Porque eles não podem usufruir de tais riquezas e devem repassá-las adiante.

ANHANGÁ

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Anhangá – (Ilustração: FDT/Editora Sesc/Berje).

Com este protetor da floresta nem mesmo Tupã, o Espírito do Trovão, se atreve.  Sua forma mais conhecida é a que recebe o nome de suaçu-anhanga: um veado branco, com olhos de fogo, chifres cobertos de pelo e uma cruz na testa. No entanto, ele pode ter a forma que quiser. Como peixe, recebe o nome de pirarucu-anhanga, já a versão humana é conhecida como mira-anhanga. Também se revela em forma de boi, pássaro, tatu…

 

Sua presença é anunciada com um assobio que faz a caça desaparecer da frente dos caçadores. Ele protege, principalmente, animais que amamentam e, se um caçador matar um animal que estava prestes a parir, Anhangá faz com que ele coma a própria mãe como castigo. Se tentar caçá-lo, ele moerá sua arma.

Fique atento se pretende caçar algum dia, pois, se ele estiver por perto, desviará as balas de seus alvos e elas atingirão as pessoas que você quer bem.

 PAI DO MATO

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Pai do Mato. FDT/Editora Sesc/Berje

Alto, cabelos desgrenhados e unhas com mais de 10 metros de comprimento: essa é a descrição do Pai do Mato, conhecido em Alagoas. Dizem que os gritos dele fazem com que toda floresta estremeça, assim como as gargalhadas.

Há boatos de que ele engole pessoas e que não é possível matá-lo com tiros de revólver ou facadas. Existem apenas duas maneiras de o fazer: acertá-lo num círculo que possui ao redor do umbigo ou… fazer cócegas no sovaco dele.

Já em Pernambuco, a representação do Pai do Mato possui traços dos monstros indígenas: tem pés de cabrito e o corpo todo peludo. Possui quatro braços, parecidos com de macacos, dos quais dois possuem a função de fazê-lo andar, como se fossem pernas. No rosto, barba rala, e, segundo os índios do povo Paresi, é escuro como lama e faz xixi azul.

GORJALA

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Gorjala (Ilustração: FDT/Editora Sesc/Berje).

Ele é, talvez, um dos primeiros gigantes de que se tem conhecimento na mitologia brasileira. Ele é imenso, preto, feio e tem um olho só.  Mora em serras penhascosas, no nordeste do país, e possui a função de proteger as matas verdes dos inimigos.  Se encontrar alguém pela frente, ele o coloca debaixo do braço e o come a dentadas!

ARRANCA LÍNGUA

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Arranca Língua – (Ilustração:FDT/Editora Sesc/Berje).

Nome sugestivo, não? Dizem que o Arranca Língua é um macaco que mede aproximadamente quatro metros de altura, e que ataca rebanhos e gados para lhes arrancar apenas… a língua! O resto do corpo do animal permanece intocado.

No começo do século XX, sua existência foi noticiada em grande parte da imprensa de Goiás, Minas Gerais e Rio de Janeiro, onde fazendeiros afirmavam terem visto pegadas enormes nas propriedades deles.

Os relatos daquela época contam que ele é um homem amacacado, com longos braços e rosto chato. Ele teria sido, anteriormente, um ladrão de gados nos Estados Unidos e sua condenação tinha sido se transformar em um monstro!

 

UAIUARA

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Uaiuara. FDT/Editora Sesc/Berje

Do Tupi Guarani, a palavra significa “o que chega de repente” ou “assombração”. Ele aparece aos índios sob a forma de um cão gordo, com orelhas bem cumpridas e que abanam o tempo todo, sempre por volta da meia-noite. Por mais que possua o formato do melhor amigo do homem, tome cuidado! Esse duende amazônico é considerado um espírito mal.

Ficou interessado nessas histórias incríveis? Viu como nosso Folclore é rico? Ainda existem tantas outras e algumas, talvez, que ainda nem conhecemos. O caminho das histórias é infinito, a cultura há de prevalecer nesta infinidade.

Ufa, que penúltimo episódio inovador, não é? Contar histórias sobre Folclore que você ainda não conhece. Mas, a ComTempo não vai deixar você na curiosidade de saber quem foi a responsável por colecionar e sair em busca de cada uma delas. No último episódio dessa série de reportagens, você vai conhecer Januária Alves, escritora que nos contou não só essas histórias, mas a sua também e fecha, com chave de ouro, essa primeira temporada folclórica.

Escrito por: José Piutti
Edição de texto: Marcos Pitta

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