Messias, o Pai da Mentira?

Por: Caio Barroso

“Ele foi homicida desde o princípio e não se apegou à verdade, pois não há verdade nele. Quando mente, fala a sua própria língua, pois é mentiroso e pai da mentira”. Qualquer semelhança é uma mera coincidência com a figura de governante que temos atualmente.

João, capítulo 8, versículo 44 pode ilustrar bem o que passa pela mente de muitos brasileiros quando se referem ao presidente Jair Messias Bolsonaro (sem partido). Quando o chamam de genocida, quando sozinho defende medicamentos sem comprovação científica, quando provoca aglomeração e desrespeita medidas sanitárias tão importantes contra o coronavírus. Totalmente fora da realidade e contra o fluxo de todos os outros governantes no mundo.

Inspirado por esta passagem, e em abril, mês da mentira, resolvi destacar duas declarações de 23 de março de 2021 feitas pelo presidente, e que ilustram o comportamento dele durante a pandemia. A meu ver, e conforme verificado pelo site Aos Fatos, afirmações falsas.

Mentira 1

“Sempre afirmei que adotaríamos qualquer vacina, desde que aprovada pela Anvisa. E assim foi feito.”

No ano passado, ele disse que não compraria a vacina produzida pela empresa chinesa Sinovac Biotech, em parceria com o Instituto Butantan e, em várias oportunidades, criou suspeitas sobre os imunizantes contra Covid-19.

Em outubro de 2020, por exemplo, o presidente desautorizou o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e negou que o governo federal compraria doses CoronaVac. Neste mesmo período, respondeu a um seguidor no Facebook que “o povo brasileiro não seria cobaia de ninguém”. 

Messias (sic) também colocou entraves à aquisição da vacina desenvolvida pela Pfizer que tentava negociar doses com o governo federal desde agosto de 2020. Seriam 70 milhões de doses que começariam a ser entregues já em dezembro do ano passado.

Além disso, ele recorrentemente questiona a qualidade dos imunizantes contra a Covid-19, afirmando que são “experimentais”, o que não é verdade. 

Mentira 2

“E, em nenhum momento, o governo deixou de tomar medidas importantes tanto para combater o coronavírus como para combater o caos na economia, que poderia gerar desemprego e fome.”

O governo federal, estimulado pelo próprio presidente, deixou de implementar, atrasou e se opôs a diversas ações de combate à pandemia. Publicamente, Bolsonaro criticou e ameaçou derrubar medidas de isolamento social decretadas por governadores e prefeitos, mas foi impedido em abril de 2020 por uma decisão do STF.

Em março deste ano a corte suprema analisou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade, movida pelo presidente, que tinha o objetivo de impedir os “lockdowns”, porém foi novamente derrotado.

O governo federal também atrasou a compra de vacinas e, por meio do Instituto Butantan, que fabrica a CoronaVac, tornou público o fato de que o Executivo recusou três ofertas de compra do imunizante: em julho, agosto e outubro de 2020.

Sabemos também, por meio de uma reportagem da Folha de São Paulo, que o Ministério da Saúde soube quatro dias antes que faltaria oxigênio em Manaus, mas não tomou medidas necessárias para evitar a crise.

Por fim, o próprio Bolsonaro fez várias afirmações que desestimulasse a população a usar máscara, não fazendo o uso, e incentivando aglomerações.

Esse é o padrão de comportamento durante toda a pandemia, com uma pequena alteração após Lula se tornar elegível novamente, se projetar como pré-candidato para 2022, e colocar uma sombra na reeleição de Jair Bolsonaro. Após este fato, ele fez aparições de máscara, defendeu a vacina e até fez live com o globo terrestre (pasmem).

Fato é que as mentiras, falas distorcidas e o comportamento contraditório ditaram e ditam as ações de Jair Bolsonaro. Na ânsia de ser pai mais uma vez, ele adotou a mentira.

Sobre o autor:

Meu nome é Caio A. Barroso Pereira, sou jornalista e documentarista e trabalho no resgate e na materialização de memórias. Como repórter, já assinei matérias de política, cultura e cotidiano na revista Exclusive, em Belo Horizonte; matérias de turismo no site Expedição Brasil, Just Ride Along e na revista Chopperon Brasil. Na ComTempo trarei minhas percepções sobre o cenário político nacional, além de publicações sobre bons exemplos e boas ações na política.

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